Ninguém pode dizer que não seja verdade.

O Caminho de Santiago teve um papel decisivo na obtenção, por parte dos vinicultores espanhóis, de ´know how´ vitivinícola. ´Know how´ esse que era trazido pelos peregrinos que faziam o caminho.

catedral

O impulso não foi somente técnico, mas também comercial, pois o caminho trazia milhares de todos os tipos de consumidores e, principalmente, hospedagem, vinho e comida. Fazemos sempre a idéia do peregrino maltrapilho, faminto e de fato este seria a maioria, mas também existia o peregrino abastado, o burguês, o nobre, o alto clero, todos trazendo dinheiro e demanda de qualidade.

A segunda grande onda de ´know how´e estímulo comercial ao vinho espanhol aconteceu na segunda metade do século 19.

Um inseto, a Philoxera (Filoxera), que dizimou as vinhas do mundo inteiro, começou pelas francesas.

Foi um Deus nos acuda: o inseto comia as raízes das vinhas e nada o detinha. Caso não tenha ficado claro vou repetir, as vinhas francesas foram totalmente dizimadas. Mesmo. Muitos vinicultores franceses correram para a Espanha para comprar, alugar terras, associar-se com vinicultores espanhóis para não perder seus mercados e com isso trouxeram novamente “know how”, um conceito de qualidade e um mercado.

Novamente os primeiros beneficiados disso foram Navarra e Rioja. O grande impulso do vinho riojano foi inclusive esse mesmo.

Não tardou e a Filoxera chegou à Espanha. A porta de entrada? O endereço do primeiro foco? Novamente Navarra. Os vinhos se foram, mas o ´know how´ ficou.

A cura foi o enxerto, utilizando raízes americanas resistentes à Filoxera. Toda vide plantada na Europa hoje tem pé americano. Sim, restou aqui e ali um pezinho de uva anterior à praga. Quem o tem, o conserva com todo o carinho e na vindima pega uma uvinha daquele pé e o coloca em algumas dezenas de mosto. Assim pode dizer que em seu vinho há uva de pé filoxérica. Ninguém pode dizer que não seja verdade.

 

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Um tinto feito de uva branca

O Heredad de Aduna foi elaborado com 90% de uva Tempranillo e 10% de Viúra.
Nada demais aparecermos por aqui com uma uva nova, não fosse este um vinho tinto e a Viúra, uma uva branca. Branca?! Pois é: branca!
Viúra é o nome usado na Rioja para essa uva, mais conhecido no resto da Espanha como Macabeo. O uso da Viúra na elaboração de tintos é relativamente comum na Rioja, mas como as proporções de Viúra são pequenas, sua presença geralmente não é mencionada nos rótulos.
A Viúra refresca o tinto trazendo-lhe uma acidez extra e fixando cores. Isso começou com o casual fato de que entre as vides tintas sempre se encontram algumas brancas, e, no momento da colheita, vai tudo para o mesmo tacho. Com a moderna demanda de vinhos com mais extrato, essas práticas vão rareando.

 

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