Olfato

Quando falamos de sentidos, sempre relegamos o olfato a um segundo plano. Num primeiro momento, parece mais fácil ser anosmático (*) do que cego ou surdo. Oxalá não tenhamos de fazer essa classe de opções! Mas eu, que defendo que a mesa é o prazer mais importante das nossas vidas, pelo menos pararia para pensar, pois, sem olfato, não existem tais prazeres.

Nesta ficha, do total de pontos em 100, reservado ao olfato somam-se 30, o que não significa que a importância do olfato na pontuação de um vinho seja de 30 em 100, já que, como muito do que se sente na boca na verdade também é olfato.

Intensidade é um aspecto do olfato que não requer explicação. É intensidade mesmo, potência dos aromas, força, volume de aromas. Enfim, nenhuma palavra é melhor que “intensidade”, a qual, como se vê no detalhe, pontua-se nesta ficha de 0 a 10.

Chamo de complexidade à multiplicidade de aromas. Levando-o para um campo mais familiar – as cores –, se um aroma simples é representado por uma cor ou duas, um aroma muito complexo é um caleidoscópio. Mais fácil ainda: um ponto para uma cor, e dez pontos para dez cores. E, sendo que as cores são sete, ainda temos três para imaginar (são comprimentos de onda que só captamos com a abstração).

Qualidade e harmonia são dois conceitos que se fundem, pois não há harmonia de má qualidade, e não há qualidade sem harmonia. Outra vez acudo a uma figura – a música. O que faz uma música ter qualidade não é a variedade de sons ou timbres, mas a beleza da combinação, ainda que de poucos elementos. Wes Montgomery pode ser tão bom como Rachmaninov, ou Bono Vox, cada um no seu estilo.

(*) Desprovido de olfato; ou que não distingue todos os odores (segundo o dicionário).

 

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