Defeitos do Vinho Originados no Vinhedo

Texto: Eduardo Giovannini 

Ao se escolher o local para plantar o vinhedo, se todos os fatores foram levados em conta como clima, solo, escolha dos porta-enxertos e variedades, sistema de manejo e condução da planta, ainda assim não se têm garantia que tudo vai dar certo. Na maior parte das regiões produtoras de vinho, cada ano é diferente. Assim, é preciso que o viticultor fique muito atento a todos os detalhes visando obter a uva com as características e composição que ele deseja.

Alguns problemas que ocorrem no vinhedo se refletem posteriormente no vinho. Se a uva não atingir o ponto de maturação desejado, que varia em função do objetivo (menos açúcar e mais acidez para espumante; mais açúcar e menos acidez para vinhos “normais”; e “muito tudo” para os grandes vinhos de guarda), isto irá aparecer no vinho. Por exemplo: ano quente demais a uva amadurece rapidamente e pode passar do ponto ideal de colheita, especialmente se for para elaboração de espumantes. O oposto também é verdadeiro: ano muito frio a uva pode não chegar jamais ao ponto de maturação desejado. Estes dois tipos de defeito podem ser corrigidos na elaboração do vinho, por meio de cortes com outras uvas complementares ou práticas enológicas permitidas em legislação.

No entanto, alguns defeitos que podem aparecer no futuro vinho se originam no vinhedo e, às vezes, passam despercebidos pelo elaborador. Vinhos que apresentam aromas de mofo ou cheiro de uva podre podem ter sido feitos a partir de uva que aparentemente não estava estragada, pelo menos não identificado visualmente o problema. Porém, por vezes, uma pequena quantidade de uva infectada com o fungo Botrytis cinerea (o mesmo que faz a podridão nobre, se é que algo pode ser podre e nobre ao mesmo tempo) é suficiente para dar mau cheiro ao vinho, bem como instabilizar sua coloração que em pouco tempo se decompõe.

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Contaminações da uva por Bretanomyces spp. podem gerar no vinho uma série de aromas desagradáveis. Este fungo se encontra normalmente nos recipientes vinários de madeira, mas também existe em algumas variedades de uva.
A infecção por Glomerella cingulata, fungo causador da podridão da uva madura, também gera vinhos com aromas estranhos, fortes e desagradáveis, e defeitos na cor.

Outras podridões como a ácida e a amarga são mais raras e mais facilmente evitáveis no vinhedo. Além disto, é mais fácil eliminar as uvas com estes problemas ainda durante a vindima.

Alguns outros problemas ocorrem devido a contaminações ambientais diversas. Os tratamentos com produtos para controle de moléstias da videira contêm uma série de elementos químicos, dentre os quais o cobre. Este elemento é o responsável pela enfermidade do vinho dita “casse cúprica” (quebra) na qual o produto se decompõe depois de engarrafado.

O fato de se processar a uva, normalmente, sem que esta seja lavada e seca, traz junto à matéria-prima uma série de produtos outros que não uva: poeira (argila e outros minerais) que afeta o aroma do vinho; insetos, aranhas e outros pequenos animais (ninguém testou quanto a isto, mas é provável que também afetem o sabor do vinho). Resíduos de fungicidas que, felizmente, precipitam nas borras do vinho e são eliminados em sua maior parte durante o processamento.

Deste modo, o ideal seria que a uva fosse lavada e seca antes de ser processada. Grande parte dos defeitos devidos a fatores do cultivo da videira seriam eliminados com este procedimento.

 

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Os melhores solos para viticultura e onde eles se encontram

Texto: Eduardo Giovannini

O solo e o subsolo determinam a originalidade e a tipicidade do vinho. Uma vez que tenham sido escolhidas regiões com climas idôneos para a produção de uvas a etapa seguinte é determinar o tipo de produto que se deseja e, a partir desta noção, escolher o solo para implantar o vinhedo.

As videiras para a produção de vinho fino são cultivadas enxertadas na grande maioria das regiões vitícolas do mundo. Assim, tem que se pensar na variedade porta-enxertos e na variedade produtora a ser escolhida. Os porta-enxertos existentes hoje se adequam a praticamente todos os tipos de solo, exceto os muito úmidos, os turfosos e os muito compactados. As variedades produtoras tem “preferências” por alguns tipos de solo, onde historicamente dão seus melhores frutos. Deste modo, é necessário escolher muito bem o terreno para o plantio.

Vários tipos de solo podem gerar grandes vinhos. Os parâmetros levados em conta na escolha são: (a) profundidade efetiva (até onde as raízes da videira conseguem penetrar), sendo melhores os solos profundos; (b) textura (refere-se à granulometria que é a medida da proporção de areia, silte e argila no solo). Solos argilosos ou arenosos são extremos e propiciam uvas com muito aroma ou açúcar, respectivamente. Solos francos (intermediários entre estas duas classes) geram uvas mais equilibradas; (c) cor do solo – solos escuros se aquecem mais rapidamente e propiciam maturação mais cedo. Isto pode ou não ser bom dependendo de condições climáticas; (d) pH – mede a acidez do solo – no geral os melhores vinhos são feitos em solos de pH próximo à neutralidade (entre 6,5 e 7,5),, porém há regiões com pH 5,5 até 8; (e) fertilidade química – solos muito férteis produzem muita uva, porém de qualidade deficiente. Solos muito pobres geram plantas débeis que mesmo a pouca uva que produzem não amadurece corretamente. Assim, o ideal é um solo de fertilidade média a baixa.

Estas condições ideais raramente aparecem em todos os solos vitícolas juntas. Quando assim acontece são os grandes “terroirs” que produzem vinhos de altíssima qualidade. No entanto, estas condições são raras e por isto, raros também são tais vinhos, que, por conseguinte, se tornam caros e preciosos. Grandes vinhos são feitos em locais onde, por vezes, uma destas condições não está naturalmente presente. Porém, algumas destas situações podem ser contornadas e superadas com tecnologia. É por isto que, antigamente grandes vinhos existiam exclusivamente na Europa. Hoje, com a descoberta de novas áreas vitícolas e a melhoria das tecnologias à disposição, várias novas regiões no Novo Mundo têm surgido com vinhos de ótima qualidade.

Há solos excelentes para a produção de vinhos finos em todos os países vitícolas atuais, incluindo o Brasil. No Velho Mundo a tradição já definiu em detalhe o que melhor se obtém em cada lugar. No Novo Mundo isto está sendo feito. Por exemplo, sabe-se que: Pinot Noir, Chardonnay e Meunier originam seu melhores espumantes em terrenos calcários; Pinot Noir para vinhos tranquilos também é melhor em solos calcários; Gamay prefere solos levemente ácidos; os Cabernets originam seus melhores vinhos em solos siltosos, vermelhos ou calcários; Nebbiolo produz seus vinhos mais famosos em terras calcárias, mas dá grandes vinhos também em solos ácidos; os melhores Tokay provêm sempre de terras extremamente argilosas; os Moscatéis são de aroma mais fino se cultivados sobre terras calcárias.

Em suma, não existe um solo melhor para viticultura. Existem muitos solos adequados e cada qual mais propício a um ou outro tipo de uva ou vinho. É o que torna o mundo do vinho tão interessante.

 

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Bretanomyces spp.

Texto: Eduardo Giovannini 

Antes dos trabalhos de Louis Pasteur pouco se sabia a respeito de como, por quê e o que fazia o vinho. Este grande cientista demonstrou que o vinho era produto do metabolismo de microrganismos.

Alguns micróbios fazem o vinho, outros tentam destruí-lo. A fermentação alcoólica é responsabilidade das leveduras, especialmente das do gênero Saccharomyces, sendo várias envolvidas no processo, mas predominando a S.cerevisiae. A fermentação malolática é feita por bactérias Leuconostoc oenos. Estes são os microrganismos “bons”, sem os quais não se teria o vinho.

Do outro lado há uma série de seres vivos que atuam de modo a destruir o vinho. As bactérias do gênero Acetobacter tentam transformá-lo em vinagre e há uma gama de outros seres microscópicos que alteram as características do produto.

As leveduras do gênero Bretanomyces são algumas das responsáveis pela formação do “véu” em vinhos armazenados em recipientes de madeira onde o contato com o oxigênio seja excessivo. Este “véu” se deve à transformação do álcool etílico (o álcool potável) em acetaldeído. O acetaldeído pode apresentar ao degustador a sensação olfativa de vinagre, de acetona (removedor de esmalte de unhas) ou do próprio esmalte para unhas. É bem interessante notar que estas leveduras resistem às doses usuais de dióxido de enxofre que se usa nos vinhos.

Em alguns vinhos da Europa, ainda hoje, os aromas citados são tidos como típicos do vinho de determinada região. Isto se explica pela falta de higiene (pela falta de conhecimento em microbiologia) que reinava até o século XIX. Atualmente, os aromas devidos à Bretanomyces são considerados graves defeitos nos vinhos da maior parte do mundo. Além destes aromas mais comuns há uma gama de cheiros extremamente desagradáveis de se encontrar em um cálice de vinho: fezes de animais, humanas, suor humano e mais facilmente encontrável e detectável, o cheiro de cavalo suado. Parece um pouco absurdo se referir a estes aromas nos vinhos, mas ainda há vinhos que apresentam estes defeitos.

Este microrganismo sobrevive em adegas mal higienizadas, vivendo na madeira das barricas e quaisquer outros recipientes sujos. Barricas de carvalho não higienizadas são um dos grandes depósitos de Bretanomyces. Esta levedura vive também na própria uva e entra nas cantinas de vinificação com a mesma. Algumas variedades de uva são mais suscetíveis como, por exemplo, a ‘Touriga Nacional’ e a ‘Cabernet Sauvignon’. Deste modo, às vezes mesmo que o setor de vinificação e de amadurecimento do vinho esteja limpo, o produto poderá apresentar os referidos aromas.

Evita-se tal problema com as seguintes práticas: produção de uva com sanidade (isenta de microrganismos);
estabelecimento vinícola totalmente higienizado; barricas e outros recipientes de madeira novos e/ou mantidos limpos; e atestos (completar o nível evitando a presença de ar) freqüentes nos recipientes vinários.

Vinhos que apresentem os referidos aromas são, certamente, vinhos com problemas não apenas no que diz respeito à qualidade organoléptica, mas também no que se refere à higiene da empresa produtora e não devem ser consumidos. A desculpa de que tais aromas são característicos da região não pode mais ser aceita, pois é um problema que pode e deve ser controlado.

 

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Tentando entender os Bordéus

bordeaux

Chateau
Termo genérico que quer dizer Castelo, mas na prática vinícola é sinônimo de vinhedo ou propriedade vinícola. Em Bordéus somente é permitido o uso da expressão “chateau” no rótulo quando o vinhedo que o produziu tem tradição em seu uso.

AC
Apelation controle-Denominação de origem, ou seja o vinho produzido naquela área está protegido por lei e deve, para usar seu nome, obedecer a critérios geográficos e técnicos.

Cru
Termo genérico que quer dizer “cultivo”. Veja que o que está sendo classificado é o cultivo e não o vinho.

As classificações específicas
Veja no mapa que cada comuna ou AC tem, ou não, suas próprias classificações. Novamente essas classificações obedecem a leis, a critérios técnicos. Um vinho para ser considerado um “Sauterne premiere cru superior” deve obedecer aos critérios constantes daquela lei.

AC Genérica
Um produtor pode prescindir de acolher-se à lei específica de sua região e acolher-se à lei genérica de Bordéus. Como a AC genérica de Bordéus é menos exigente que a específica, há um entendimento de que um genérico Bordeaux ac é inferior a um Classé qualquer. Na maioria dos casos de fato é assim mas não é uma regra.

Em cinza: Os mais prestigiosos independentemente da classificação.

 

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Filho Pródigo Buzet

Texto de Francesca Prince

Pequena e encravada em uma rica zona vinícola, a denominação de Buzet conheceu épocas de glória e grandes momentos de esquecimento – exílio – vivendo da sombra da toda poderosa Burdeos. Entretanto, desde algumas décadas Buzet volta com força e reivindica seu próprio caráter.

Buzet se situa no sudoeste francês. A história desta região se remonta à época romana, formando uma das zonas vinícolas mais antigas da França. Um clima privilegiado, oceânico, suave e úmido por um lado e mediterrâneo, ensolarado e seco no verão, tem favorecido o desenvolvimento e variedade de vinhedos.

Com mais de 30 denominações, entre as quais Bergerac, Cahors, Fronton, Madiran, Bordeaux sempre tem atuado de irmão mais velho roubando grande parte do protagonismo dos demais.

Este poderia ser o caso da pequena denominação de Buzet, situada próxima à capital mundial do vinho e com uma extensão de 1.800 hectares de vinhedo. Conhece uma época de expansão na Idade Média, sobretudo graças ao dinamismo das abadias. Na Era Moderna, entretanto, Buzet passa a um segundo plano a favor do irmão: por decreto real, os produtores de Bordeaux serão os únicos autorizados a vender vinho aos compradores estrangeiros. Quando no ano 1776 se revoga o privilégio comercial do gigante do vinho, Buzet então vive novamente uma época de expansão que trará riqueza e prosperidade a seus viticulturores. Porém, a Filoxera, praga brutal, dizima – com em quase todas as regiões européias – os vinhedos. Novamente, Buzet se vê desprezada. O golpe de graça vem quando em 1911, Buzet é excluída da denominação Bordeaux, à qual estava intimamente ligada até então. Desde esta data até os anos 50 poderia corresponder à travessia do deserto desta região (40 anos!).

Porém em 1953, as coisas mudam novamente. Os viticultores se reorganizam criando a cooperativa “la Cave dês Vignerons”, com o objetivo de dinamizar a produção e independizar-se dos “négociants” bordoleses que ditam as regras. Em 1973, finalmente, Buzet obtém a “Appellation Contrôlée”, adquirindo sua própria personalidade. Desde então, os vinhos desta zona, tintos aromáticos e freutados em sua maioria, tem ganhado numerosos prêmios. Assim, próspero e fortalecido, Buzet aparece novamente.

E talvez, isto é justamente o que ocorreu: a volta do filho pródigo. Por fim, o vinho de Buzet retorna às nossas casas depois de um largo exílio, agora libertado da tutela de Burdeos. E para dar-lhe uma cálida acolhida, o melhor que podemos fazer é abrir uma garrafa, brindar com ele e compartilha-lo com nossos seres queridos. Bem-vindo à casa, Buzet!

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Conservante?

Dióxido de Enxofre ou INS 220 ou Conservante PV ou anidro sulfuroso ou mesmo SO2.

Em todas as garrafas de vinhos comercializadas no Brasil, legalmente é claro, se lerá no contra-rótulo em português: Conservante: Dióxido de Enxofre ou INS 220 ou Conservante PV ou anidro sulfuroso ou mesmo SO2. Que estão esse montão de conservantes diferentes fazendo dentro do meu vinho? Mas não é o vinho um produto nobre, natural e que dispensa conservantes?

Sim, o vinho não precisa de conservantes artificiais, ao contrário, os conservantes artificiais no vinho estão absolutamente proibidos. O vinho já tem seus conservantes naturais: álcool, ácidos, açúcares.

Esse montão de nomes são na verdade a mesma substância. Creio que é a única substância estranha ao vinho ou mosto que a ele pode ser adicionado legalmente.

O Anidro Sulfuroso desempenha importantíssimo e variado papel na vinificação. É usado na higienização de garrafas e instalações, sanidade do mosto, controle qualitativo das leveduras, evita a oxidação do mosto e mesmo do vinho durante as trasfegas, ajuda no amuo dos fortificados. Enfim, um coringa, serve para tudo, menos como conservante. Consta como conservante somente nos contra-rótulos brasileiros porque a lei brasileira o considera um conservante.

Sim, o anidro sulfuroso pode alterar o sabor do vinho e por isso as quantidades usadas são muito medidas técnica e legalmente.

 

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Qualidades, defeitos, estragos e gostos

O conceito

Má qualidade: um carro de má qualidade é um carro com poucas prestações: pouco motor, alto consumo, desconfortável, inseguro, pequeno… Sai da fábrica tal como foi concebido ou desenhado. É ruim, seu padrão de qualidade é baixo, mas sai da fábrica tal como previsto. Quando um carro é de má qualidade, é de má qualidade o modelo e todas as unidades que serão fabricadas.

Defeito: um carro com defeito já é outra coisa. Independente da qualidade sai com algum problema de fábrica por alguma disfunção no processo. Uma determinada partida de uma peça se encontra com defeito que aparece após algum uso. Não era o esperado, não estava projetado assim. São nestes casos que acontecem os “Recalls”. Com defeito geralmente é um lote.

Estrago: um carro estragado é um terceiro problema. O carro estava bom, mas por alg
um problema de armazenamento, transporte ou uso, estragou. Ficou numa tremenda chuva de granizo o que estragou a pintura do teto, bateu, fundiu o motor por falta de óleo. Um carro estragado é uma unidade.

Não gosto: independentemente de estar estragado, com defeito, ou ter boa ou má qualidade você pode gostar ou não de um carro. Isso é uma questão particular e pode acontecer com qualquer carro.

 

No vinho

Conhecer vinho implica em identificar e classificar seus problemas. Um grande passo no conhecimento do vinho foi dado quando em lugar de dizer “este vinho está ruim” você consegue identificar se é de má qualidade, se tem defeito, se estragou ou se reconhece que o vinho não tem problema nenhum mas não gosta dele.

Longe de esgotar a questão vamos dar uma pincelada no “Vinho ruim”.

Má qualidade: definir o que é qualidade em um vinho é tema para livro e identificar qualidade num vinho é tema para outro livro. Confundir má qualidade com não gosto é facílimo e nem se quer por desaviso. Os conceitos se confundem mesmo.

No vinho, qualidade é a verdade e: “Verdade é o que a maioria diz que é verdade, ainda que através de um interlocutor, que deve ser avalizado pela maioria, ainda que através de um interlocutor”.

Há formas, portanto, de saber se um vinho é de qualidade:

  1. Consultando a maioria
  2. Consultando a um interlocutor avalizado pela maioria.

Defeito: os defeitos mais comuns são:

Devido à uva (fúngicos, microbianos, leveduras): Gostos iodados, Gostos fênicos, Gostos Alcanforados.

Devido à uva (vegetais): Gostos de caráter vegetal, Gostos de caráter herbáceo.

Contaminações: Gosto de asfalto (por asfaltamento em zonas perto do vinhedo), Gosto Hidrocarburetos (máquinas em vindimas), Gosto de creolina (usada para proteger o madeirame do vinhedo).

De origem fermentativo, compostos de enxofre: Gosto de ovo podre, Gosto de Couve, Gosto de alho.

Contaminação da bodega, bretanomices (brett): Gosto de rato.

Armazenamento em bodega/ origem: Gosto de amêndoa amarga (algum tipo de revestimento epóxi das cubas).

Estrago: rolha (rolha contaminada com tca). Aqui coloco o vinho rolha ou bouchoné como “estragado” pois afetará o vinho depois de completada a sua produção mas isto de fato nasce na bodega.

Gosto de luz (extrema exposição à exposição à luz, mal manuseio).

Oxidado (rolhas secas por mau manuseio podem permitir a entrada de ar na garrafa oxidando o vinho).

 

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Sabor aos olhos

A primeira parte da ficha pontua o aspecto visual do vinho. Vejam que o valor total de pontos em 100 para a cor é somente três. Existem fichas que pontuam a aparência do vinho em até dez pontos em 100. Se é bem verdade que da aparência do vinho pode-se tirar uma boa quantidade de informações (tipo, idade, vinificação, teor alcoólico) e que sua observação pode ser importante para a cata analítica ou descritiva, o visual para a degustação objetiva, “pontuativa” – se me permitem a expressão! –, é pouco importante. Quando analisarmos uma ficha analítica, abordaremos, aí sim, como interpretar o aspecto visual.

Agora, e ainda que seja apreciável um vinho visualmente bonito, não creio que, por esse critério, se deva penalizar ou favorecer um vinho em mais que três pontos em 100, já que sua razão de ser é a impressão olfativa e gustativa, e não a visual. Vou dizê-lo de outra forma: ainda que seja desejável que um quadro cheire bem, pois estará na sua sala, não é normal e nem parece justo julgá-lo por seu cheiro, já que sua razão de ser é estritamente visual.

Não nego que, pelo cheiro, eu posso saber se o material utilizado para a pintura seja a tinta a óleo ou a plástica, mas não parece razoável julgar um quadro por seu cheiro, não é?

Ainda assim, observaremos para a pontuação a “beleza”, qualidade essa que encontraremos em sua limpidez, em seu brilho, na vivacidade e intensidade de sua cor. Por sistema, atribuo dois pontos a qualquer vinho, reservando uma nota 0 aos excepcionalmente feios, opacos, turvos. Reservo a nota 3 para os excepcionalmente luminosos, de cores vivas e intensas, que revelam diversas nuances de cor conforme a incidência de luz, tal como uma pedra preciosa perfeitamente lapidada.

sabor aos olhos

 

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Guarda de vinho

Despeje um copo de água num prato fundo, outro tanto de feijão branco cru, cebola e alho crus, condimentos e uma costelinha de porco, também crua. Agora tente comer! Não dá nem para mastigar. Alguns elementos são insípidos; outros, irritantes; outros, nauseabundos, e o conjunto é definitivamente um vomitivo – emético, para ser mais suave.

Se você colocar isso tudo numa panela e levar ao fogo por algumas horinhas, terá em seguida um saboroso prato. O que aconteceu? Os elementos são exatamente os mesmos! Uma simples palavra: cozimento!

O que acontece durante o cozimento, lá na intimidade do invisivelmente pequeno, na íntima relação entre as moléculas, talvez possa ser explicado por um químico, quando não um possível moderno alquimista. As estruturas rompem-se, os elementos recombinam-se, as texturas mudam, as cores alteram-se, mas o advento do sabor – que é o que nos interessa – é mágica!

Cozimento a fogo, cozimento por tempo em meio líquido, cozimento por ação de substâncias (“por ação de substância” é o marinado!). Podemos também, para diminuir o tempo de cozimento em fogo, deixar aquele mesmo feijão branco de molho de um dia para o outro. Uma vez feito nosso cozido de feijão branco com costelinha, também podemos deixá-lo lá, em cima do fogão, até o dia seguinte. Cozimento, extração e recombinação de princípios de sabor… a receita estará muito melhor!

O vinho é assim: dentro da garrafa, alguns melhoram, e outros, não. Tal como a comida: o cozido melhora, mas a salada, não; e – acreditem! – pelas mesmas razões.

Mas que vinho é “cozido” e que vinho é “salada”?

O que faz com que um vinho melhore em garrafa dependerá de sua uva, das características do mosto, de taninos, ácidos, teores alcoólicos, vinificação, e ainda se passou ou não por estágio em barril. Conhecendo essas variantes, saberemos quais vinhos melhorarão em garrafa e quais não. Ainda que seja certo dizer que, de alguns, nunca se saberá nada com relação à melhora. Como disse acima, o advento do sabor é magia.

Coloco a seguir uma tabela de orientação.

Veja que conto o tempo a partir do engarrafamento, data que nem sempre conhecemos com exatidão, porque a data que vem no rótulo das garrafas é a da colheita.

As cores indicam o seguinte: amarelo: vinho precoce; verde: está na época ideal de consumo; vermelho: vinho em processo de decadência.

vinho em guarda

Como disse, é apenas uma tabela de orientação, que comporta muitas exceções e poréns. Ainda bem!

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Clarete

Texto de Eduardo Giovannini

Há uma confusão no uso dos termos “claret” e “clarete” que, em parte, persiste no mundo do vinho. A palavra “claret” que se usa na Inglaterra, e que cada vez mais cai em desuso, deriva do termo francês “clairet” – originalmente uma forma pouco tinta (pálida) de vinho da região de Bordeaux. Este nome persistiu em uso e foi praticamente sinônimo de vinho Bordeaux durante alguns séculos. Àquela época (séculos XVIII até XIX) boa parte do vinho bordalês recebia a adição de vinho tinto espanhol da região espanhola do Levante (Alicante e arredores), para melhorar seu teor alcoólico e sua cor. Isto, agora é passado. Também não deve ser confundida com ‘Clairette’ que é uma variedade de uva do sul da França, da qual se obtêm vinhos tranquilos e mesmo espumantes na denominação de origem Crémant de Die.

Atualmente quando se fala em “Clarete” se está referindo a vinhos espanhóis. São vinhos elaborados a partir da mistura de mostos obtidos de uvas tintas e brancas, cuja fermentação se dá com maceração parcial das cascas da uva tinta, em uma forma especial de vinificação em tinto. A cor destes vinhos depende da proporção de uvas tintas e brancas, bem como do tempo de maceração. Normalmente, têm cor mais intensa que os vinhos rosados e menos intensas do que os demais tintos espanhóis.

A prática de misturar uvas tintas e brancas é muito antiga, e provavelmente, foi praticada em todas as regiões vitícolas do mundo. O método de elaboração deste vinho, do Clarete espanhol, tem alguma similiaridade com o do Chianti antigo. Nos dois casos se utilizam mesclas de uvas tintas e brancas, e não cortes de vinhos tintos e brancos. No entanto, como o caráter de um vinho não depende exclusivamente do modo como é feito, os resultados são diferentes.

Para o nosso prazer, eis aqui um produto genuíno e de longa história: o Clarete.

 

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