Argentina

Texto: Francesca Prince

Argentina: situadas ao pé da Cordilheira dos Andes em uma situação única, hoje em dia as regiões vinícolas argentinas produzem vinhos de grande qualidade. Porém
nem sempre foi assim. Uma história recente, mas que carrega uma larga tradição.

O vinho chega ao Novo Mundo pelas mãos de exércitos. Fez-se necessário para manter o ânimo de suas tropas e pelos missionários que necessitam para celebração de suas missas.

As ladeiras da Cordilheira Andina resultam em um lugar idôneo para o cultivo da videira. Esta localização entre 400 e 1.200m sobre o nível do mar oferece múltiplas vantagens: água pura proveniente dos picos, sol em abundância o qual permite ótimo amadurecimento das uvas -, amplitude térmica com dias quentes e noites frescas.argentina

Presente desde a Conquista, a expansão deste produto data de meados do século XIX, quando Aimé Pouget, um bordolés, introduz desde o Chile algumas variedades francesas entre elas malbec, que com o tempo converteu-se na variedade emblemática da Argentina. No final do mesmo século, Tiburcio Venegas, fundador da Casa Trapiche, introduz outras cepas galas, entre elas, a tinta shiraz. Estas duas uvas formam parte das uvas admitidas para a elaboração de vinhos da recentemente aprovada “Denominación de Origen Controlada Luján de Cuyo”.

A construção da ferrovia entre Mendoza e Buenos Aires em 1885, além da chegada de milhares de imigrantes provenientes, sobretudo da Itália e Espanha, países de grande tradição vinícola, lança definitivamente o mercado. Durante muitos anos, o setor de vinho é fonte de riqueza.

Porém este mesmo impulso leva os produtores pelo duvidoso caminho, ao privilegiar a quantidade sobre a qualidade, abandonando variedades de baixo rendimento, entre elas, a malbec. Uma época sombria que leva a falência muitos produtores.

Felizmente o setor começa a superar o baque na década de 90. Impulsionadas pela crescente demanda mundial de vinhos finos, as maiores bodegas investem novamente nas distintas áreas: vitivinicultura, enologia e comercialização.

Hoje em dia, Argentina é o quinto produtor, atrás de França, Itália, Espanha e Estados unidos. E a malbec, uva insígnia, ocupa novamente seu lugar. Os cachos brilham ali, nas ladeiras andinas, produzindo vinhos de altura, tal como o lugar.

 

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Entendendo o vinho argentino

I.P: Indicação de Procedência. A classificação menos exigente; 80% da uva tem que ser da zona em questão. Não há restrições quanto a casta, 122 quilos de uva por cada 100 litros de vinho.

I.G: Indicação Geográfica. Restringe a variedade de uvas, e tanto a uva como a elaboração e o fracionamento devem ser feitos na zona em questão.

D.O.C.:  A etiqueta deve relacionar as variedades, que são restritas, deve também relacionar a conução dos vinhedos e a elaboração bem como estágios em madeira. Todo o processo inclusive engarrafamento deve ser feito na zona em questão. Deve estar supetitado ao conselho regional por sua vez aprovado pelo Instituto Nacional do Vinho.

Añada: Qualificativo reservado aos vinhos D.O.C. que tenha vivido 5 anos de bodega em garrafa ou barril.

Reserva: Qualificativo reservado aos vinhos D.O.C. que tenham vivido 6 anos de bodega em garrafa ou barril.

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Malbec

É difícil saber se foi a Argentina que adotou a malbec como sua uva ou se foi a malbec que adotou a Argentina como seu país. O fato é que a malbec, originária da França e lá também chamada de cot, nunca produziu em sua origem os vinhos que produz no seu país de adoção. Hoje é a uva-emblema da Argentina e a segunda uva mais plantada naquele país. Desperta paixões e produz os melhores vinhos argentinos

O segredo do vinho: Recentemente, um jornalista me perguntou qual seria o segredo do vinho. Não sei muito bem o que ele queria saber me fazendo essa pergunta, mas isso não tem muita importância, já que ela não tem resposta. Pode-se até arriscar alguma, mas será tão vaga ou boba quanto a pergunta.

MalbecDiz a lenda que, em certa ocasião, o grande gênio de xadrez José Raúl Capablanca foi abordado por um velhinho que alegava ter descoberto uma forma de começar com brancas e ganhar sempre. Curioso e rindo para si mesmo, Capablanca dispôs-se a jogar uma partida com o tal velhinho, que começou com brancas e ganhou. Capablanca, atônito, dispôs-se a outra partida, e várias jogaram. O velhinho, começando com brancas, ganhava sempre.

Capablanca foi correndo apresentar o velhinho ao outro grande gênio do xadrez da época, Alexander Alekhine, que também se dispôs a jogar com o velhinho, e a história repetiu-se. Capablanca e Alekhine entreolharam-se, cochicharam e foram dar uma volta com o velhinho, do qual nunca mais se soube notícia.

Bem, se um dia aparecer alguém com uma receita de vinho perfeito, somente nos restará ir dar uma volta com ele. Enquanto isso não acontece, seguiremos procurando boas terras e climas para a vide e desenvolvendo o conhecimento sobre o plantio, a colheita, a vinificação e a guarda, para assim bebermos vinhos cada vez melhores e prazerosos.

 

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