Os melhores solos para viticultura e onde eles se encontram

Texto: Eduardo Giovannini

O solo e o subsolo determinam a originalidade e a tipicidade do vinho. Uma vez que tenham sido escolhidas regiões com climas idôneos para a produção de uvas a etapa seguinte é determinar o tipo de produto que se deseja e, a partir desta noção, escolher o solo para implantar o vinhedo.

As videiras para a produção de vinho fino são cultivadas enxertadas na grande maioria das regiões vitícolas do mundo. Assim, tem que se pensar na variedade porta-enxertos e na variedade produtora a ser escolhida. Os porta-enxertos existentes hoje se adequam a praticamente todos os tipos de solo, exceto os muito úmidos, os turfosos e os muito compactados. As variedades produtoras tem “preferências” por alguns tipos de solo, onde historicamente dão seus melhores frutos. Deste modo, é necessário escolher muito bem o terreno para o plantio.

Vários tipos de solo podem gerar grandes vinhos. Os parâmetros levados em conta na escolha são: (a) profundidade efetiva (até onde as raízes da videira conseguem penetrar), sendo melhores os solos profundos; (b) textura (refere-se à granulometria que é a medida da proporção de areia, silte e argila no solo). Solos argilosos ou arenosos são extremos e propiciam uvas com muito aroma ou açúcar, respectivamente. Solos francos (intermediários entre estas duas classes) geram uvas mais equilibradas; (c) cor do solo – solos escuros se aquecem mais rapidamente e propiciam maturação mais cedo. Isto pode ou não ser bom dependendo de condições climáticas; (d) pH – mede a acidez do solo – no geral os melhores vinhos são feitos em solos de pH próximo à neutralidade (entre 6,5 e 7,5),, porém há regiões com pH 5,5 até 8; (e) fertilidade química – solos muito férteis produzem muita uva, porém de qualidade deficiente. Solos muito pobres geram plantas débeis que mesmo a pouca uva que produzem não amadurece corretamente. Assim, o ideal é um solo de fertilidade média a baixa.

Estas condições ideais raramente aparecem em todos os solos vitícolas juntas. Quando assim acontece são os grandes “terroirs” que produzem vinhos de altíssima qualidade. No entanto, estas condições são raras e por isto, raros também são tais vinhos, que, por conseguinte, se tornam caros e preciosos. Grandes vinhos são feitos em locais onde, por vezes, uma destas condições não está naturalmente presente. Porém, algumas destas situações podem ser contornadas e superadas com tecnologia. É por isto que, antigamente grandes vinhos existiam exclusivamente na Europa. Hoje, com a descoberta de novas áreas vitícolas e a melhoria das tecnologias à disposição, várias novas regiões no Novo Mundo têm surgido com vinhos de ótima qualidade.

Há solos excelentes para a produção de vinhos finos em todos os países vitícolas atuais, incluindo o Brasil. No Velho Mundo a tradição já definiu em detalhe o que melhor se obtém em cada lugar. No Novo Mundo isto está sendo feito. Por exemplo, sabe-se que: Pinot Noir, Chardonnay e Meunier originam seu melhores espumantes em terrenos calcários; Pinot Noir para vinhos tranquilos também é melhor em solos calcários; Gamay prefere solos levemente ácidos; os Cabernets originam seus melhores vinhos em solos siltosos, vermelhos ou calcários; Nebbiolo produz seus vinhos mais famosos em terras calcárias, mas dá grandes vinhos também em solos ácidos; os melhores Tokay provêm sempre de terras extremamente argilosas; os Moscatéis são de aroma mais fino se cultivados sobre terras calcárias.

Em suma, não existe um solo melhor para viticultura. Existem muitos solos adequados e cada qual mais propício a um ou outro tipo de uva ou vinho. É o que torna o mundo do vinho tão interessante.

 

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