Roobernet

Texto: Eduardo Giovannini 

O melhoramento genético em uvas para vinho fino, através de cruzamentos, vem sendo feito desde meados do século XVI. Quando se entendeu melhor sobre reprodução de plantas e genética foram iniciados trabalhos de polinização das flores de videiras-mães que tivessem alguma qualidade à qual fosse possível agregar outras características desejáveis, usando pólen de outras variedades. Normalmente a flor da videira é autofecundada, não necessitando da ajuda nem do vento, nem de insetos. Pegando-se uma semente de ‘Merlot’, por exemplo, e plantando-se a mesma, em 98,5% das oportunidades nascerá outra ‘Merlot’ idêntica à planta-mãe. A chance de tal semente ter sido formada a partir de fecundação por pólen de outra flor é 1,5%. E, muito provavelmente, a outra flor que a polinizou estava no mesmo primórdio floral, sendo, portanto, outra flor de ‘Merlot’.

Assim, as chances de ocorrerem cruzamentos ao natural são baixíssimas. Mas, eles ocorrem. Estão aí a ‘Cabernet Sauvignon’, a ‘Chardonnay’ e a ‘Syrah’ dentre outras para provar.

Cruzamentos dirigidos, feitos pelo homem, foram muitos. Poucos, no entanto, deram bons resultados enológicos. Dos mais conhecidos são a ‘Alicante Henri Bouschet’ (uva tintória francesa), a ‘Flora’ (uva rosada californiana), a ‘Ruby Cabernet’ (uva tinta californiana), a ‘Manzoni Bianco’ (uva branca italiana) e a ‘Pinotage’ (uva tinta sul-africana).

No Brasil foram feitos diversos cruzamentos, mas a maioria visando obter uvas para vinhos comuns ou sucos.

Dentre as novas técnicas de melhoramento genético, atualmente se dispõe da biotecnologia. Já existem porta-enxertos de videira obtidos por esta técnica. A maneira mais usual para se melhorar uma variedade de videira é a seleção feita em vinhedos bons, isolando indivíduos (videiras) que tenham as características buscadas, e posteriormente, propagando somente estas.
Na África do Sul além da ‘Pinotage’ (‘Cinsault’ x ‘Pinot Noir’), mais recentemente foi lançado um novo cruzamento no ano de 1990. Trata-se da uva ‘Roobernet’. O mesmo foi feito pelo professor Orffer em Stellenbosch, utilizando como genitores à conhecida ‘Cabernet Sauvignon’ e a desconhecida ‘Pontac’. Esta última é uma cultivar originária do sudeste da França e já era cultivada na África do Sul no século XVII, tendo sido exportado seu vinho para a Holanda em 1772 por Jan van Riebeeck. Era usada na elaboração do vinho Constantia tinto doce. É uma cultivar tintória (tem matéria corante na polpa além da película), originando vinhos de cor forte, levemente tânicos com sabor suave e bom potencial de envelhecimento.

A ‘Roobernet’ produz pouca uva, sendo a produtividade do vinhedo próxima a 5 toneladas por hectare. O vinho que origina é de cor acentuada e tânico devendo envelhecer bem. É um vinho que tem qualidades intermediárias entre as dos seus genitores. Atualmente só é encontrada em seu país de origem e ainda assim em pequena área. Deverá se constituir em um novo tipo de vinho original da África do Sul.

Para nós, será uma grande surpresa conhecer um vinho absolutamente novo.

 

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