Filho Pródigo Buzet

Texto de Francesca Prince

Pequena e encravada em uma rica zona vinícola, a denominação de Buzet conheceu épocas de glória e grandes momentos de esquecimento – exílio – vivendo da sombra da toda poderosa Burdeos. Entretanto, desde algumas décadas Buzet volta com força e reivindica seu próprio caráter.

Buzet se situa no sudoeste francês. A história desta região se remonta à época romana, formando uma das zonas vinícolas mais antigas da França. Um clima privilegiado, oceânico, suave e úmido por um lado e mediterrâneo, ensolarado e seco no verão, tem favorecido o desenvolvimento e variedade de vinhedos.

Com mais de 30 denominações, entre as quais Bergerac, Cahors, Fronton, Madiran, Bordeaux sempre tem atuado de irmão mais velho roubando grande parte do protagonismo dos demais.

Este poderia ser o caso da pequena denominação de Buzet, situada próxima à capital mundial do vinho e com uma extensão de 1.800 hectares de vinhedo. Conhece uma época de expansão na Idade Média, sobretudo graças ao dinamismo das abadias. Na Era Moderna, entretanto, Buzet passa a um segundo plano a favor do irmão: por decreto real, os produtores de Bordeaux serão os únicos autorizados a vender vinho aos compradores estrangeiros. Quando no ano 1776 se revoga o privilégio comercial do gigante do vinho, Buzet então vive novamente uma época de expansão que trará riqueza e prosperidade a seus viticulturores. Porém, a Filoxera, praga brutal, dizima – com em quase todas as regiões européias – os vinhedos. Novamente, Buzet se vê desprezada. O golpe de graça vem quando em 1911, Buzet é excluída da denominação Bordeaux, à qual estava intimamente ligada até então. Desde esta data até os anos 50 poderia corresponder à travessia do deserto desta região (40 anos!).

Porém em 1953, as coisas mudam novamente. Os viticultores se reorganizam criando a cooperativa “la Cave dês Vignerons”, com o objetivo de dinamizar a produção e independizar-se dos “négociants” bordoleses que ditam as regras. Em 1973, finalmente, Buzet obtém a “Appellation Contrôlée”, adquirindo sua própria personalidade. Desde então, os vinhos desta zona, tintos aromáticos e freutados em sua maioria, tem ganhado numerosos prêmios. Assim, próspero e fortalecido, Buzet aparece novamente.

E talvez, isto é justamente o que ocorreu: a volta do filho pródigo. Por fim, o vinho de Buzet retorna às nossas casas depois de um largo exílio, agora libertado da tutela de Burdeos. E para dar-lhe uma cálida acolhida, o melhor que podemos fazer é abrir uma garrafa, brindar com ele e compartilha-lo com nossos seres queridos. Bem-vindo à casa, Buzet!

buzet

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