Sabor aos olhos

A primeira parte da ficha pontua o aspecto visual do vinho. Vejam que o valor total de pontos em 100 para a cor é somente três. Existem fichas que pontuam a aparência do vinho em até dez pontos em 100. Se é bem verdade que da aparência do vinho pode-se tirar uma boa quantidade de informações (tipo, idade, vinificação, teor alcoólico) e que sua observação pode ser importante para a cata analítica ou descritiva, o visual para a degustação objetiva, “pontuativa” – se me permitem a expressão! –, é pouco importante. Quando analisarmos uma ficha analítica, abordaremos, aí sim, como interpretar o aspecto visual.

Agora, e ainda que seja apreciável um vinho visualmente bonito, não creio que, por esse critério, se deva penalizar ou favorecer um vinho em mais que três pontos em 100, já que sua razão de ser é a impressão olfativa e gustativa, e não a visual. Vou dizê-lo de outra forma: ainda que seja desejável que um quadro cheire bem, pois estará na sua sala, não é normal e nem parece justo julgá-lo por seu cheiro, já que sua razão de ser é estritamente visual.

Não nego que, pelo cheiro, eu posso saber se o material utilizado para a pintura seja a tinta a óleo ou a plástica, mas não parece razoável julgar um quadro por seu cheiro, não é?

Ainda assim, observaremos para a pontuação a “beleza”, qualidade essa que encontraremos em sua limpidez, em seu brilho, na vivacidade e intensidade de sua cor. Por sistema, atribuo dois pontos a qualquer vinho, reservando uma nota 0 aos excepcionalmente feios, opacos, turvos. Reservo a nota 3 para os excepcionalmente luminosos, de cores vivas e intensas, que revelam diversas nuances de cor conforme a incidência de luz, tal como uma pedra preciosa perfeitamente lapidada.

sabor aos olhos

 

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