Clarete

Texto de Eduardo Giovannini

Há uma confusão no uso dos termos “claret” e “clarete” que, em parte, persiste no mundo do vinho. A palavra “claret” que se usa na Inglaterra, e que cada vez mais cai em desuso, deriva do termo francês “clairet” – originalmente uma forma pouco tinta (pálida) de vinho da região de Bordeaux. Este nome persistiu em uso e foi praticamente sinônimo de vinho Bordeaux durante alguns séculos. Àquela época (séculos XVIII até XIX) boa parte do vinho bordalês recebia a adição de vinho tinto espanhol da região espanhola do Levante (Alicante e arredores), para melhorar seu teor alcoólico e sua cor. Isto, agora é passado. Também não deve ser confundida com ‘Clairette’ que é uma variedade de uva do sul da França, da qual se obtêm vinhos tranquilos e mesmo espumantes na denominação de origem Crémant de Die.

Atualmente quando se fala em “Clarete” se está referindo a vinhos espanhóis. São vinhos elaborados a partir da mistura de mostos obtidos de uvas tintas e brancas, cuja fermentação se dá com maceração parcial das cascas da uva tinta, em uma forma especial de vinificação em tinto. A cor destes vinhos depende da proporção de uvas tintas e brancas, bem como do tempo de maceração. Normalmente, têm cor mais intensa que os vinhos rosados e menos intensas do que os demais tintos espanhóis.

A prática de misturar uvas tintas e brancas é muito antiga, e provavelmente, foi praticada em todas as regiões vitícolas do mundo. O método de elaboração deste vinho, do Clarete espanhol, tem alguma similiaridade com o do Chianti antigo. Nos dois casos se utilizam mesclas de uvas tintas e brancas, e não cortes de vinhos tintos e brancos. No entanto, como o caráter de um vinho não depende exclusivamente do modo como é feito, os resultados são diferentes.

Para o nosso prazer, eis aqui um produto genuíno e de longa história: o Clarete.

 

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