Vin de Pays

O Velho Mundo produtor de vinhos – Espanha, Itália, França e Portugal – tem uma forma muito simétrica para denominar as origens (*) e/ou a qualidade de seus vinhos:

vin de pays

Parece – e na verdade funciona como – uma escala de qualidade, mas nem de longe é uma escala precisa. São conceitos que dizem respeito à qualidade, à origem, à observância de uma lei, ou à sua não observância em absoluto. Essa escala sugere que o vinho do tipo 1 é superior ao 2, e assim por diante; geralmente quase é assim. Mas, cuidado! Todas as exceções são possíveis.

 

Se falássemos em português claro, essas classificações ficariam assim:

 

Vinho de um lugar geográfico específico, que obedece aos critérios de produção e qualidade do grêmio de produtores locais e que, além disso, foi classificado como muito bom pelo conselho nacional

 

Vinho de um lugar geográfico específico, que obedece aos critérios de produção e qualidade do grêmio de produtores locais

 

Vinho de uma área geográfica muito ampla, que não se acolhia a outros grêmios por razões geográficas ou de critérios de produção específicos, e cuja população criou seu próprio grêmio, mais amplo tanto em área como em critérios

 

Não se acolheram a grêmio nenhum e, portanto, a nenhum critério de produção. Podem inclusive obedecer a algum critério de algum grêmio, mas não se deram ao trabalho de certificá-lo

 

Daí, e tomando as classificações espanholas como exemplo, podemos dizer que:

 

1) um “Vino de la Tierra” pode ser melhor que um D.O.C.

Exemplo: Abadia Retuerta Pago Negralada, um dos melhores vinhos espanhóis, que, por razão geográfica, não pode se acolher a nenhuma D.O.

 

2) um vinho produzido no coração da D.O. “Rueda” pode não ser certificado como um D.O. “Rueda”.

Exemplo: o vinho Campo Sanz, ainda que produzido numa bodega de Rueda – que inclusive produz vinhos acolhidos à D.O. Rueda –, não pode ser rueda, por não obedecer a critérios de produção. É um tinto, e os critérios de Rueda não aceitam tintos.

 

3) D.O. diz respeito à origem geográfica, mas dois vinhos podem pertencer à mesma D.O., apenas possuírem origens geográficas totalmente diversas.

Exemplo: um D.O. Cava pode ser da região do Penedés ou de Ribera del Guadiana, que se encontram em dois extremos da Espanha e com terroirs muito distintos.

 

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