Alentejo

Bem, se alguém perguntasse sobre o vinho do Alentejo, poderíamos dizer que tem uma história ancestral, que sua produção chegou da mão dos romanos, que a região onde é produzido tem um enorme talento natural para vinho, que tem uvas autóctones interessantíssimas, que a produção de vinho na região está vivendo um grande desenvolvimento, que ela vem recebendo pesados investimentos, a qual já conta com a última tecnologia e know how de produção de vinhos, que tudo isso já vem dando resultados, e, enfim, que seu vinho vem ganhando mundo.

Mas, não vou dizer nada disso, pois soaria repetitivo. As mesmas palavras podem ser usadas para quase todas as regiões vinícolas européias e, tirando o episódio dos romanos, também vale para todas as regiões vinícolas do mundo.

No Alentejo, região além do rio Tejo, encontram-se atualmente oito zonas vinícolas bem demarcadas: Porto Alegre, Borba, Redondo, Reguengos, Vidigueira, Évora, Granja/Amareleja e Moura. A bodega Herdade do Esporão encontra-se em Reguengos. Como herdade, existe desde o século XIII, mas, como vinícola, é recente. Lança seu primeiro vinho 1989, que, pouco depois, já era considerado um dos melhores vinhos portugueses.

Passemos à cozinha, à cozinha alentejana ou, pelo menos, a um seu ícone.

Azeite: O azeite de oliva é tão rico em sabor que basta pão e azeite para se montar uma refeição. É um aditivo universal e melhora o sabor, a consistência, além de complementar quase qualquer prato, inclusive as sobremesas. Viveu um período de descaso quando tudo o que era industrializado era melhor, mas revive agora e até ganhou lugar na mais alta e refinada cozinha, bem como status de alimento saudável. Agora vem sendo tratado com a mesma deferência com a qual se trata o vinho ou os melhores queijos. Cortes de azeitonas, denominações de origem, concursos internacionais, degustações e pontuações na Wine Spectator, e por aí vai.

 

O azeite de oliva virgem nada mais é do que um suco de fruta. É azeitona moída e coada, e nada mais: não tem nenhuma classe de aditivo nem outro processo mais complicado.

É chamado de “extravirgem” aquele cuja acidez é menor que 0,8%;e somente ”virgem”, aquele cuja acidez se encontra entre os 2 e os 0,8%. A acidez é, de fato, um indicativo de qualidade, mas não é uma escala absoluta e nem tem relação direta com seu valor gustativo. Dito de outra forma: um azeite de maior acidez pode ser mais gostoso que um azeite de menor acidez. Em algumas garrafas de azeite, lê-se a expressão “primeira prensagem”. Bem, todos são de primeira prensagem. Outro mito é o das azeitonas verdes e pretas. Todas são verdes e pretas: quando estão verdes, são verdes; e, quando amadurecem, são pretas.

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O azeite de oliva mais verde não é pior ou melhor que aquele mais amarelo; foi prensado antes, com a azeitona mais
verde. Ao contrário do vinho, o azeite nunca melhora com o tempo, e, quanto antes for consumido, melhor. Por outro lado, tal como o vinho, oxida e é fotossensível – portanto, prefira as garrafas escuras. E, uma vez aberto, não tarde muito em consumi-lo.

Por último, recomendo firmemente que você não perca a oportunidade de provar esse azeite assim, puro, numa colher de sopa. Você se surpreenderá!

 

 

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