A expressão “bala perdida” me faz pensar que a mesma faz curva.

Entendendo o vinho uruguaio

vinhosuruguaios

Quanto a classificações, uvas autorizadas, denominações de origem etc, que é o que viemos abordando nesta série de artigos “entendendo o vinho de…”, a lei uruguaia é, digamos, das mais simples.

Lança mão da Lei do Mercosul para efeito de classificação de qualidade.

  1. Vinhos de mesa
  2. Vinhos leves (uma variação dos vinhos de mesa)
  3. Vinhos finos.

E quanto a tipos.

  1. Espumante
  2. Frisante
  3. Gaseificado
  4. Licoroso

No Uruguai especificamente a classificação a Vinhos Finos a chamaram de VCP (Vinos de Calidad Preferente).

Os VCPE obedecem, não obstante a uns critérios ligeiramente mais rigorosos que a lei do Mercosul. Por exemplo: na lei do Mercosul um vinho fino deve ter um mínimo de graduação de 8,6º enquanto que o VCP, 10,5º.

Uvas.

Para os VCP somente viníferas.

Para as demais classificações, não há exigências.

Parece que em breve entrará em vigor uma lei que proibirá o vinho feito com uvas híbridas.

Dos e Indicações Geográficas.

Não há. A tabela anexa mostra um estudo que ainda não é lei e os produtores podem utilizar este ou aquele nome de origem geográfica de forma livre tendo como único critério sua ética profissional.

Não há também regulamentação para outros termos indicadores de qualidade ou vinificação com: Roble Reserva, Gran reserva, Reserva especial, etc que também são usados pelos produtores tendo como único critério sua interpretação própria desses qualificativos e sua ética profissional.

 

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Ninguém pode dizer que não seja verdade.

O Caminho de Santiago teve um papel decisivo na obtenção, por parte dos vinicultores espanhóis, de ´know how´ vitivinícola. ´Know how´ esse que era trazido pelos peregrinos que faziam o caminho.

catedral

O impulso não foi somente técnico, mas também comercial, pois o caminho trazia milhares de todos os tipos de consumidores e, principalmente, hospedagem, vinho e comida. Fazemos sempre a idéia do peregrino maltrapilho, faminto e de fato este seria a maioria, mas também existia o peregrino abastado, o burguês, o nobre, o alto clero, todos trazendo dinheiro e demanda de qualidade.

A segunda grande onda de ´know how´e estímulo comercial ao vinho espanhol aconteceu na segunda metade do século 19.

Um inseto, a Philoxera (Filoxera), que dizimou as vinhas do mundo inteiro, começou pelas francesas.

Foi um Deus nos acuda: o inseto comia as raízes das vinhas e nada o detinha. Caso não tenha ficado claro vou repetir, as vinhas francesas foram totalmente dizimadas. Mesmo. Muitos vinicultores franceses correram para a Espanha para comprar, alugar terras, associar-se com vinicultores espanhóis para não perder seus mercados e com isso trouxeram novamente “know how”, um conceito de qualidade e um mercado.

Novamente os primeiros beneficiados disso foram Navarra e Rioja. O grande impulso do vinho riojano foi inclusive esse mesmo.

Não tardou e a Filoxera chegou à Espanha. A porta de entrada? O endereço do primeiro foco? Novamente Navarra. Os vinhos se foram, mas o ´know how´ ficou.

A cura foi o enxerto, utilizando raízes americanas resistentes à Filoxera. Toda vide plantada na Europa hoje tem pé americano. Sim, restou aqui e ali um pezinho de uva anterior à praga. Quem o tem, o conserva com todo o carinho e na vindima pega uma uvinha daquele pé e o coloca em algumas dezenas de mosto. Assim pode dizer que em seu vinho há uva de pé filoxérica. Ninguém pode dizer que não seja verdade.

 

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Comprar vinho eis a questão

Como escolher melhor seu vinho, onde comprar, dicas para comprar melhor em cada um dos diferentes estabelecimentos comerciais.

prateleira

O consumo de vinho no Brasil

Num prazo relativamente curto de tempo o mercado consumidor brasileiro começou a se interessar por vinho, os cursos se multiplicam, aparecem novas importadoras, os produtores nacionais incrementam suas linhas, os supermercados triplicam o espaço dedicado à exposição dos vinhos, novas lojas especializadas são abertas nos shopping centers e o consumidor de repente se vê um pouco perdido num imenso emaranhado de rótulos, uvas, países de origem, vinificações!

É verdade que é também essa enorme variedade, esse mundo cheio de novidades e segredos que faz do vinho algo tão atrativo e o transforma numa fonte inesgotável de conhecimento e prazer, mas acudir a um estabelecimento decidido a comprar um vinho para acompanhar seu jantar e se deparar com alguns milhares de uvas multiplicados por umas centenas de regiões produtoras pode chegar a ser atordoante.

Esse delicioso novelo não se desenrola numa vida quanto mais numas páginas mas é possível resumir alguma informação sobre a escolha e a compra de vinhos bem como propor umas ficas ainda que simples podem ser valiosas.

Escolher o vinho.

A oferta de vinhos no Brasil pode ser muito mais complexa que a dos países produtores e tradicionalmente consumidores de vinho.

Parece paradoxal, mas justamente por não ser um país tradicionalmente produtor de vinhos a variedade da oferta no Brasil é enorme. Nos países produtores, como é natural, a grande maioria dos vinhos comercializados são os produzidos no próprio país. Claro que lá se encontrarão vinhos de outros países e origens, mas serão minoria pois quase sempre serão mais caros e muitas vezes não obedecerão ao padrão de gosto local que neste caso já estará bem formado e feito a seu próprio vinho.

Este fenômeno não acontece no Brasil, importamos de todos os lados e, ainda que os vinhos italianos e chilenos sejam os campeões de vendas, a oferta de vinhos está comparativamente muito dividida entre todas as origens possíveis.

O consumidor brasileiro tem então que lidar com um número enorme de variantes para selecionar seu vinho e os tipos de estabelecimento onde ele adquire o vinho cumprirá um papel importante nessa seleção.

Os estabelecimentos clássicos.

As características, vantagens e desvantagens de comprar vinhos no supermercado, no produtor, na loja especializada, na importadora, no clube de vinhos.

No produtor

Uma forma muito agradável de comprar vinho é diretamente do produtor. É uma oportunidade única de aprender, de ouvir, de ver, de conhecer com detalhes a origem ou os processos de produção do seu vinho. A visita a um produtor vale por um curso de vinhos, é entrar de cheio na deliciosa atmosfera do cultivo da uva e da produção do vinho. Nos países produtores é uma modalidade usual de compra e no Brasil também existe essa possibilidade, muitos produtores dispõem inclusive de uma estrutura formal e permanente para atender os consumidores. Desafortunadamente esta é uma modalidade que está restrita ao mercado consumidor que se encontra perto das áreas produtoras e ainda assim a variedade ainda é pequena.

Dica: para os grandes amantes do vinho uma visita a um produtor é uma experiência fascinante. Como no Brasil isso pode implicar numa pequena viagem, encare como uma opção de turismo mais que de compra efetiva de vinho.

Nas importadoras

Ainda que as importadoras tenham um caráter comercial mais atacadista muitas delas dispõem de departamentos de atenção e venda direta ao consumidor. Algumas publicam catálogos que facilitam a compra. Nesses catálogos você encontrará boas sugestões e terá em destaque ofertas comerciais interessantes.

Dica: juntando alguns amigos para fazer uma compra maior é possível negociar preços.

Supermercados

Os supermercados têm dado muita atenção ao setor de vinhos e onde no passado só se via uma ponta de gôndola com alguns vinhos de segunda linha hoje se encontram corredores inteiros de vinhos das mais variadas origens e qualidades. A disponibilidade é a vantagem dessa compra e nos supermercados podem encontrar-se ótimas promoções. Nem todas as importadoras tem a estrutura necessária para atender aos supermercados, outras importadoras por sua vez se reservam a exclusividade da venda ao consumidor de alguns de seus vinhos, portanto nem tudo é encontrável num supermercado.

Dica: dê preferência a comprar no supermercado os vinhos mais robustos, os vinhos mais delicados são mais susceptíveis às nem sempre ideais condições de armazenamento. As garrafas se encontram em pé de e os vinhos de maior valor tendem a ficar mais tempo na gôndola nessa posição pouco favorável.

Nas lojas especializadas

É cada vez maior o número de lojas especializadas em vinho e a grande vantagem deste estabelecimento é a assessoria e atenção personalizada que oferecem ao cliente. Nas lojas especializadas é mais fácil encontrar novidades e muitas delas promovem degustações e cursos aos clientes. Costumam ser mais cuidadosos com a estocagem do vinho e é mais fácil, nestes estabelecimentos, trocar um vinho que não esteja bom.

Dica: desafortunadamente ainda se encontram alguns atendentes despreparados nessas lojas. Preferem dar uma informação equivocada a dizer que não sabem o que não teria nenhuma importância. Prefira falar com o proprietário se possível, geralmente é um apaixonado por vinhos e te atenderá com prazer.

Na internet

Todo o tipo de venda tem crescido por esse meio e o vinho não é diferente. Entende-se que ao evitar os grandes custos de manter um estabelecimento aberto ao público a loja virtual é capaz de oferecer preços atraentes, mas eu ainda diria que a comodidade é o grande trunfo desta modalidade de compra.

Dica: hoje em dia é relativamente fácil site de venda de produtos, verifique se o site dispõe de um número telefônico para atendimento de clientes, ligue, faça perguntas, informe-se de como procedem com respeito a trocas, por exemplo.

Clube de Vinho.

O Clube de Vinho traz um entorno uma comunidade onde viver a cultura do vinho. Um clube de vinho oferece conforto na compra, traz novidades e vinhos de difícil acesso, os preços são muito atraentes e promove a informação e eventos sobre o vinho,

Dica: analise as condições comerciais gerais e formas de pagamento do clube, veja se existem anuidades, veja que tipo de vinhos o clube vem selecionando, analise as possibilidades de devolução ou suspensão de remessas.

 

Faça parte do nosso clube: vinhos selecionados por uma rede mundial de especialistas, entregues na porta de sua casa, por preços até 50% abaixo dos praticados no mercado! Associe-se!

Entendendo o vinho italiano

A classificação dos vinhos italianos segue o estilo das classificações europeias, por origem. Tem como base regiões geográficas que coincidem com as divisões políticas o que facilita muito o entendimento geral. São vinte as regiões e cada região tem suas IGTs, DOCs e DOCGs.

As classificações são leis que contém um conjunto de critérios que devem ser seguido para que um vinho receba a respectiva classificação. São essas classificações em ordem crescente de qualidade.

VINO DA TAVOLA. Vinho de mesa. Não há critérios legais específicos. A maioria dos vinhos italianos se enquadra nesta classificação.

INDICAZIONE GEOGRAFICA TIPICA. Indicação Geográfica Típica (IGT). Cada uma das vinte regiões geográficas tem várias IGTs somando umas 130. Os critérios são mais de ordem geográfica, regiões e sub-regiões de origem. Aqui estão os Super Toscanos.

DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA. Denominação de origem controlada (DOC). São cerca de 300 DOC distribuídas entre as 20 regiões. A legislação, tal como as demais classificações, é específica por DOC e a mesma é a mais rígida que a anterior, estabelecendo mais além da origem, as uvas que devem ser utilizadas, formas de vinificação ou estágio em barrica.

DENOMINAZIONE DI ORIGINE CONTROLLATA E GARANTITA. Denominação de origem controlada e garantida – DOCG: Nem todas as regiões tem DOCGs que são umas 30. São critérios similares aos da DOC aos quais se soma uma análise organoléptica para determinação de qualidade.

É a legislação específica de cada IGT, DOC ou DOCG que vai determinar se os vinhos acolhidos a essas classificações devem ser:

Quanto à guarda:

Vecchio: mínimo de três anos de estágio em bodega.

Superiore: mínimo de um ano de estágio em bodega.

Riserva: mínimos de três a cinco anos de estágio em bodega.

Quanto à presença de gás carbônico:

Tranquillo: vinhos sem gás carbônico.

Spumante: espumante, que pode ser natural, charmat ou clássico (champanhoise).

Frizzante: vinhos com presença de gás carbônico, mas em quantidades três ou quatro vezes inferior ao espumante.

Quanto à concentração de açúcar:

Secco, Abbocado, Amabile e Dolce Concentração de açúcar.

Quanto à vinificação:

Novello: vinho de colheita, vinhos de maceração carbônica.

Liquoroso: Vinhos fortificados.

Passito: Vinhos elaborados com uvas passas.

Ripasso: Vinho guardado sobre lias (sur lie)

Quanto a tipo/uva/cor:

Bianco: Branco

Rosato: Rosado

Rosso: Tinto

O Marsala pode ser confundido como tipo de vinho e de certa forma o é, mas Marsala é a DOC que produz esse vinho, que para efeito de entendimento pode comparar-se ao Xerez espanhol.

Ainda que fosse desejável, as IGTs, DOCs e DOCGs são tão numerosas que não é possível lista-las aqui num mapa único. Enumero então no mapa o total de cada classificação por região listando somente Toscana, a modo de exemplo.

vinho italiano

 

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Argentina

Texto: Francesca Prince

Argentina: situadas ao pé da Cordilheira dos Andes em uma situação única, hoje em dia as regiões vinícolas argentinas produzem vinhos de grande qualidade. Porém
nem sempre foi assim. Uma história recente, mas que carrega uma larga tradição.

O vinho chega ao Novo Mundo pelas mãos de exércitos. Fez-se necessário para manter o ânimo de suas tropas e pelos missionários que necessitam para celebração de suas missas.

As ladeiras da Cordilheira Andina resultam em um lugar idôneo para o cultivo da videira. Esta localização entre 400 e 1.200m sobre o nível do mar oferece múltiplas vantagens: água pura proveniente dos picos, sol em abundância o qual permite ótimo amadurecimento das uvas -, amplitude térmica com dias quentes e noites frescas.argentina

Presente desde a Conquista, a expansão deste produto data de meados do século XIX, quando Aimé Pouget, um bordolés, introduz desde o Chile algumas variedades francesas entre elas malbec, que com o tempo converteu-se na variedade emblemática da Argentina. No final do mesmo século, Tiburcio Venegas, fundador da Casa Trapiche, introduz outras cepas galas, entre elas, a tinta shiraz. Estas duas uvas formam parte das uvas admitidas para a elaboração de vinhos da recentemente aprovada “Denominación de Origen Controlada Luján de Cuyo”.

A construção da ferrovia entre Mendoza e Buenos Aires em 1885, além da chegada de milhares de imigrantes provenientes, sobretudo da Itália e Espanha, países de grande tradição vinícola, lança definitivamente o mercado. Durante muitos anos, o setor de vinho é fonte de riqueza.

Porém este mesmo impulso leva os produtores pelo duvidoso caminho, ao privilegiar a quantidade sobre a qualidade, abandonando variedades de baixo rendimento, entre elas, a malbec. Uma época sombria que leva a falência muitos produtores.

Felizmente o setor começa a superar o baque na década de 90. Impulsionadas pela crescente demanda mundial de vinhos finos, as maiores bodegas investem novamente nas distintas áreas: vitivinicultura, enologia e comercialização.

Hoje em dia, Argentina é o quinto produtor, atrás de França, Itália, Espanha e Estados unidos. E a malbec, uva insígnia, ocupa novamente seu lugar. Os cachos brilham ali, nas ladeiras andinas, produzindo vinhos de altura, tal como o lugar.

 

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Entendendo o vinho argentino

I.P: Indicação de Procedência. A classificação menos exigente; 80% da uva tem que ser da zona em questão. Não há restrições quanto a casta, 122 quilos de uva por cada 100 litros de vinho.

I.G: Indicação Geográfica. Restringe a variedade de uvas, e tanto a uva como a elaboração e o fracionamento devem ser feitos na zona em questão.

D.O.C.:  A etiqueta deve relacionar as variedades, que são restritas, deve também relacionar a conução dos vinhedos e a elaboração bem como estágios em madeira. Todo o processo inclusive engarrafamento deve ser feito na zona em questão. Deve estar supetitado ao conselho regional por sua vez aprovado pelo Instituto Nacional do Vinho.

Añada: Qualificativo reservado aos vinhos D.O.C. que tenha vivido 5 anos de bodega em garrafa ou barril.

Reserva: Qualificativo reservado aos vinhos D.O.C. que tenham vivido 6 anos de bodega em garrafa ou barril.

argentino

 

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Se você conhecesse a parte que te corresponde para fazer acontecer seu mundo ideal você o repudiaria totalmente.