Vinho no restaurante – 3

Continuação guia de duvidosa utilidade de como e por quê devolver um vinho no restaurante!

Digo “duvidosa utilidade”, porque alguém que sabe reconhecer um vinho bouchoné, oxidado ou morto, não precisa do guia abaixo, que será para ele uma obviedade. Por outro lado, para alguém que não reconhece emboca ou nariz um vinho bouchoné, oxidado ou morto, o guia abaixo servir-lhe-á de pouco ou nada. Mas, enfim, se todas as revistas dedicadas a vinho cometem esse erro bobo, por que eu não o faria?

Como introdução, digo que é melhor evitar acidentes do que os remediar. Em casas sem um serviço competente de vinhos (sem sommelier), ou em casas – digamos – mais baratas ou informais, não se complique: peça vinhos que você já conhece, peça vinhos jovens de safras recentes, vinhos de melhor preço e, portanto maior giro, e evite vinhos de alto valor, reservas, pois são os que têm mais probabilidade de estar ruins e são justamente dos quais, por seu alto valor, o restaurante se ressentirá com o pedido de troca!

Em casas com bom serviço de  vinho, com sommelier, em caso de dúvida, pergunte a ele sobre o vinho! E pergunte com toda sua franqueza! Tire sua dúvida com o sommelier! Se ele for um bom sommelier, dirá a você se o vinho está bom ou ruim e trocá-lo-á sem pestanejar.

Distinguir um vinho com defeito não é fácil e confunde até os profissionais. Um vinho pode, é claro, estar tremendamente ruim, mas também pode estar apenas ligeiramente ruim. Não foi uma só vez, sentado num restaurante com dez profissionais do vinho, que cinco disseram que o vinho estava bom e cinco disseram o contrário. O que não faz deles menos profissionais – é que, em alguns casos, é difícil mesmo julgar.

Em teoria, toda casa que dá a prova do vinho antes de servir estaria disposta a trocá-lo – é para isso que serve esse gesto: para que você veja se o vinho está bom!

Mas, na prática, não é assim que acontece. Acaba o gesto sendo uma formalidade vazia, um hábito, uma praxe dos restaurantes. Na mais prosaica pizzaria de bairro, dar-lhe-ão a provar o vinho antes de servi-lo… Mas, diga você que o vinho está ruim!… Eu não me atreveria a comer a pizza depois.

Ainda que inofensivo esse gesto considerado apenas como formalidade não faz sentido, pois, se o vinho estiver ruim, você o trocará, tanto se lhe derem a prová-lo, quanto se não o fizerem. Mas, enfim, os garçons o fazem, formalmente confiando a você o juízo do vinho e expondo-se eles ao seu desejo de trocá-lo, sem que você apresente maiores argumentações.

Voltando à teoria: quem deveria provar o vinho seria o sommelier, e o bom sommelier sabe disso, mas quase nunca ele se atreve a fazê-lo, pois quem não sabe disso é o cliente, que estranharia a iniciativa.

Enfim, são essas as razões, ou algumas delas, para trocar um vinho.

 

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