Viticultor versus “winemaker”

Faltaria que fossem da mesma uva para levar à taça a questão do “terroir”: como uma mesma uva, vinificada duma mesma mão, se manifesta em terrenos diferentes?

A cara oposta dessa experiência seria um mesmo terreno, com a mesma uva vinificada por duas mãos distintas. Isso nos remete à seguinte questão: quem faz o vinho – a natureza ou o homem?! Ela paralelamente nos remete à questão do genótipo e do fenótipo. Quanto da genialidade de um virtuoso violinista, por exemplo, vem do talento natural e quanto vem de um árduo e disciplinado aprendizado?

Na Europa, winemaker X viticultoro produtor de vinho é um “vinicultor” (ou “viticultor”), termo (ou termos) que sugere(m) que quem faz o vinho é a terra. Orgulham-se os europeus de dizer que fazem seus vinhos no vinhedo. Nos Estados Unidos, a palavra utilizada é “winemaker”, “fazedor de vinho”, que sugere que quem faz o vinho é ele mesmo, o técnico, levando na mala de ferramentas todo seu know how bioquímico. É recente a polêmica causada por uma empresa norte-americana, a Enologix, que diz ser capaz de dar a receita – isso mesmo, a receita! –, de quais são os pozinhos que você deve adicionar a seu vinho, seja ele qual for, para que receba uma alta pontuação do aclamado critico de vinhos Robert Parker!

Claro, a uva precisa de alguém que a vinifique para transformá-la em vinho, e existem formas de vinificar. Quanto mais se sabe de bioquímica, melhor se vinificará, mas eu particularmente gosto de acreditar que há uma irreproduzível magia na terra, na uva, na chuva e no sol, por mais que, no fundo, no fundo, tudo seja feito de nêutrons, prótons e elétrons.

Mas, além da química, há poesia no processo, há, sim!

 

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