Denominação de Origem

O termo “Denominação de Origem” faz, em alguma medida, parte daquele rol de palavras ou expressões que todos usamos com frequência mas não sabemos exatamente o que é. Aqui mesmo, no blog  já abordamos o termo superficialmente, mas creio que este é um bom momento para retomá-lo e analisar seu conceito.

D.O.Para exemplificar tal conceito, vamos acudir a uma situação alheia ao vinho e familiar a nós: a “Pamonha de Piracicaba”. Não sei se é exatamente assim a história, mas bem poderia ser. A pamonha, uma iguaria brasileira, produzida caseira e artesanalmente em todo o território nacional, encontra na cidade de Piracicaba uma receita ligeiramente diferente, que cai no gosto do consumidor. As quituteiras locais passam a produzi-la em boa quantidade para vendê-la na capital e em outras cidades, sob a marca “Pamonha de Piracicaba” – marca essa que garante um tipo de pamonha, uma qualidade, uma receita diferente. Nesse momento, alguém de Ourinhos, por exemplo, passa a fazer pamonha e a vender também nos melhores mercados, sob o nome de Pamonha de Piracicaba, aproveitando-se da fama que as piracicabanas, ao correr de anos, construíram. Como é natural, as pamonheiras piracicabanas não gostarão dessa concorrência. Dirão: ora, tanto nos custou construir essa fama, para que agora qualquer um se utilize dessa nossa marca e ainda comece a desgastá-la, já que a pamonha de Ourinhos não é tão boa como a nossa. O mercado, enganado, deixará de confiar em nossa marca. Temos de nos proteger, temos de proteger nosso consumidor fiel, temos de impedir que isso aconteça. Nesse momento, as quituteiras piracicabanas se juntam em uma agremiação e redigem um documento que estabelece o que é uma “Pamonha de Piracicaba”. Determinam a região em que essa pamonha pode ser feita, determinam a qualidade dos insumos e determinam a receita clássica local. Acodem à lei comercial, que lhes aceita e ratifica o documento. Está criada a Denominação de Origem “Pamonha de Piracicaba”.Toda pamonha que não cumpra os preceitos daquele documento não pode ser chamada de “Pamonha de Piracicaba”. A partir desse momento, alguém em Piracicaba que faça uma pamonha, por piracicabana e boa que seja, se não obedecer à receita estabelecida pelo conselho regulador, não poderá chamar a sua de “Pamonha de Piracicaba”.

Por exemplo, um vinho de nossas seleções passadas, Campo Sanz, é produzido em Rueda pelo mesmo produtor que faz o rueda branco clássico, mas a D.O. Rueda não contemplava vinhos tintos até 2001. Então, esse vinho não é um Rueda. O produtor inscreveu seu tinto em outra D.O., mais abrangente e de regra mais flexível: “Vinos de la tierra de Castilla y León”. Algo assim como “Pamonhas do Estado de São Paulo”.

 

Quer conhecer a Sociedade da Mesa, clube de vinhos? Acesse nosso site e aproveite a oferta especial para leitores do blog!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *