Vinho com soda

Li recentemente num importante guia de vinhos sul-americanos a seguinte frase: ”Se você gosta de vinho com soda, retire imediatamente suas pupilas deste livro e dedique-se a outra coisa”.

O guia em questão é uma excelente e recomendável publicação, que apresenta uma muito boa e completa compilação de vinhos sul-americanos, mas essa frase me parece um pouco preconceituosa, quando não sectária.

Eu gosto de vinho com soda! Nem de longe insinuo com isso que devamos pôr soda em nossos vinhos de qualidade, mas sim que vinho pode – por que não? – ser usado na confecção de outras bebidas.

No passado usou-se pôr soda no vinho para tornar mais palatáveis os grosseiros e mal elaborados caldos de antanho. Também era uma forma de fazer o vinho “render”, algo muito desejável em tempos de escassez.

Em alguns países, a adição de soda ao vinho foi simplesmente uma forma que o trabalhador, diante de sua marmita do meio-dia, encontrou para rebaixar a graduação alcoólica do vinho e, assim, não voltar ao segundo turno de trabalho já meio alcoolizado.

Não é nada disso que eu proponho. O que proponho é uma original e refrescante bebida de verão: um copo alto, cheio de gelo, com dois dedos de vinho e completado com soda limonada. Claro que não recomendo fazê-lo com seus melhores vinhos. Lembrem-se: deliciosos canapés fazem-se com caviar e a mais prosaica maionese; por outro lado, comer de vez em quando um cachorro-quente não impede de nenhuma forma que você seja um apreciador da alta cozinha, não é?

É isso. E para contrariar os autores daquele guia, eu o continuarei lendo.

 

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