Fondillón

Mais que um vinho, o fondillón é uma lenda. O primeiro a ganhar nome próprio, pois não é preciso dizer a palavra vinho na frente de Fondillón, como não é preciso dizer vinho de Champagne. O fondillón é simplesmente fondillón. Foi o mais famoso vinho do Renascimento, numa época em que as naus inglesas faziam fila no porto de Alicante para encher seus porões dessa bebida. Dizem que o rei Luiz XIV, em seu leito de morte, como último desejo, teria pedido um cálice de fondillón.

O fondillón não é exatamente um vinho doce. Pertence à categoria dos “rancíos” – rançosos, azedos. Mas é um pouco doce, sim. Ele nasce como nascem muitas coisas gostosas: por acaso e por ação da escassez. É nascido de um regime de arrendamento de terras, a “enfiteusis”, em que o arrendatário tinha direito sobre as terras enquanto aquilo que havia plantado seguisse dando frutos. Os arrendatários seguiam colhendo aquelas uvas de vides velhas e dizimadas, para manter seus direitos sobre as terras, e deixavam sua colheita para o fim da temporada, já que o objetivo não era fazer bom vinho, mas garantir a posse das terras. Abandoná-lo por muito tempo em barris já usados aconteceu pela mesma razão: não era vinho, era resto. Até que alguém, décadas após e falto de moedas, resolveu consumir aquele vinho estragado. Assim surgiu o fondillón na Idade Média, para então encantar a nobreza européia renascentista e quase desaparecer por completo durante a Guerra Civil Espanhola. Manter vinhas velhas de uva monastrel, colhê-las tardiamente e com baixíssimo rendimento, guardá-las por tanto tempo, é tão caro que são poucos os produtores que ainda o fazem.

 

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