Síndrome do Urso Polar

Uma das queixas mais frequentes a respeito do vinho brasileiro é o preço. Não sem razão: o vinho nacional de qualidade é caro. Os produtores defendem-se, alegando serem vítimas de impostos muito altos e ainda apontam a concorrência com produtores que obtêm, em seus países, subvenções institucionais à produção e à exportação. Não lhes falta alguma razão. Mas uma das principais razões do alto preço do vinho nacional está no que chamo de “Síndrome do Urso Polar”:

Para criar um urso polar no Pólo Norte, não é preciso muito mais que um filhote e um cercado, mas, para criar um urso polar no Brasil, será necessário um ambiente climatizado, um veterinário especializado em ursos polares, importar carne de foca e por aí afora. Ainda assim, nosso urso crescerá deprimido, estará confinado e, por mais que se tente, nunca conseguiremos reproduzir com fidelidade seu habitat natural. Uma vez adulto, nosso urso terá custado uma fortuna. Aquele que cresceu no Pólo Norte terá custado muito pouco e estará muito mais saudável.

Claro que essa analogia é um pouco exagerada, mas nos permite entender em parte o que acontece com o vinho no Brasil e o porquê de seus valores. Por outro lado, é bom comentar que, após algumas gerações, já existem alguns ursos que crescem saudáveis comendo arroz com feijão no Sul do Brasil.

 

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