Vinho em taça

Para meu desespero, é muito difícil encontrar um restaurante com uma boa variedade de vinhos servidos em taça. Sorte sua se encontrar um cujos vinhos servidos em taça forem minimamente bons, já que os restaurantes reservam para o serviço em taça os piores vinhos da carta.

Acredito que esse mau hábito venha, dentre outras coisas, de pensar que uma pessoa que pede vinho em taça quer é economizar dinheiro. Não é assim. O serviço de vinho em taça é uma possibilidade de consumir o vinho adequado para cada momento de sua refeição. Assim, de entrada e sem ir muito longe, uma refeição como manda o figurino exige, pelo menos, quatro vinhos diferentes: aperitivo, primeiro prato, segundo prato e sobremesa. Estando sozinho ou a dois, parece-me um pouco despropositado pedir quatro garrafas diferentes de vinho, não só pela quantidade, mas também pela pequena fortuna que você irá despender, sem falar que, logo após a refeição, você certamente irá pedir para o maître colocar as garrafas quase cheias numa caixa a fim de que você as leve para casa.

Uma boa carta de vinhos deve dispor, em serviço de taças, de espumantes, xerezes secos, brancos, tintos e doces. Estranhamente, os vinhos doces nunca são oferecidos em taças, mas são os únicos tipos de vinho que necessariamente devem ser servidos em taça. É pouco razoável pensar que de uma a três pessoas estejam dispostas a, após uma opípara refeição acompanhada de vinhos diversos, tomar uma garrafa inteira de um vinho de talvez 20 graus. É pouco razoável pensar que, numa mesa de oito pessoas, as oito queiram tomar a mesma coisa após a refeição.

E, já que estamos, sim, dispostos a exigir dos restaurantes mais vinhos em taças, exijamos também seu correto armazenamento ou manuseio, para não ficar bebendo vinhos oxidados!

As possibilidades e seus respectivos graus de eficiência são os que seguem:

1) os vinhos servidos em taças têm um giro tal que as garrafas são abertas diariamente, e, no fim do dia, o vinho restante nas garrafas abertas é dispensado: processo eficiente e caríssimo;

2) o restaurante usa vacu-vin para guardar as garrafas de um dia para o outro: processo de média eficiência;

3) opta-se pelo dispensador de vinho com gás inerte: eficiência total, ainda que muitas pessoas não gostem de que o vinho venha à mesa já na taça.

 

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