Adega em casa

As condições ideais para armazenar vinho são aquelas encontradas a dez metros de profundidade, se estivermos em solo europeu. Ou seja: basta mudar para a Europa e começar a cavar. Se isso não for possível, há formas de reproduzir ou tentar aproximar-se daquelas condições ideais, que são a temperatura constante e ao redor de 14ºC.
Todas as coisas têm uma temperatura ideal de conservação, desde tomates até microprocessadores, e é por isso que os tomates são guardados na geladeira e todos os computadores têm ventilador. Com o vinho, é a mesma coisa: ele requer uma temperatura ideal. A variação de temperatura ou as altas temperaturas aceleram seu envelhecimento à razão do dobro a cada 10ºC, ou seja, um vinho guardado a 20ºC envelhece na metade do tempo de um vinho guardado a 10ºC. Isso significa que, se um vinho deve atingir sua condição ideal de consumo em três anos, basta colocá-lo sob altas temperaturas para poder bebê-lo antes? Não, ou teríamos que pensar na mesma proporção para uma pessoa de 40 anos que aparentasse 60 por ter exercido uma atividade desgastante e possuísse também a sabedoria da pessoa de 60.
A escuridão, novamente: a luz é um elemento de grande desgaste ao vinho. Ou, pensando ainda por analogia: por que nos museus não se pode tirar foto dos quadros com flash?
Livre de trepidações: a trepidação é um incrível e tradicional acelerador de processos químicos. Se alguém já entrou num laboratório químico, terá visto umas maquininhas que ficam agitando soluções em tubos de ensaio. Se o cientista em questão prefere não ficar esperando ocorrer o processo químico por si, mas acelerá-lo, nós preferimos que nossos tubos de ensaio fiquem quietinhos.
Umidade: este quesito já diz mais respeito às rolhas. Não é sem razão que as garrafas armazenadas devem ficar na posição horizontal: para manter a rolha úmida. Secando, a rolha perderia sua elasticidade e, portanto, a imprescindível hermeticidade. Seria possível guardar as garrafas em pé se o ambiente estivesse com uma umidade relativa de 99%, mas isso, por outro lado, poderia provocar o aparecimento de fungos nas rolhas. E os rótulos seguramente não resistiriam muito a eles.
Livre de cheiros: os cheiros são mais pegajosos e penetrantes do que se pensa. Lembre-se daquela senhora besuntada de um extrato francês que você cumprimentou certa vez numa festa e, dias depois, após sucessivos banhos, ainda se lembrava dela!
Livre de ruídos: este quesito tradicional é um pouco mais difícil de explicar. Mas, uma analogia pode esclarecê-lo: quem consegue descansar em paz num domingo se o vizinho está escutando pagode no máximo volume?

Quando e em que proporção devo começar a me preocupar com as tais das condições ideais? As tais das condições ideais são apenas ideais. São condições a se procurar na medida do possível, do bolso, da quantidade e do tipo de vinhos que você tem. Se você conta em casa com um estoque médio de 10 garrafas e sabe de antemão que nenhuma irá mais além de seis meses ou um ano para ser consumida e se seus vinhos são vinhos robustos, de consumo diário, não se preocupe!
Claro, devemos procurar a situação ideal, ou, pelo menos, evitar as situações contrárias ao ideal, como o armário ao lado do forno (temperaturas), em cima da geladeira (trepidações), no armário dos produtos de limpeza (odores), no beiral da janela (luz), e por aí afora. Se o número de garrafas começa a crescer e/ou se o tempo de armazenamento começa a crescer, se você tem vinhos delicados ou que ainda exijam guarda para alcançar sua plenitude, vá chegando mais perto da situação ideal!
Vejamos uma situação intermediária: você tem entre 50 e 150 garrafas, alguns desses vinhos foram grandes compras, vinhos delicados que exigem cuidados, e algumas garrafas não são para consumo imediato, então exigem guarda. Se você mora em apartamento, passe a pensar numa adega climatizada!

 

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