Clarete versus rosado

Existe, sim, algum preconceito com respeito ao vinho rosado, mas esse preconceito não tem fundamento. É verdade que não existe nenhum rosado entre os melhores vinhos do mundo, mas também é verdade que não costumamos, pelo menos no dia a dia, beber os melhores vinhos do mundo.
Em muitos lugares, até em países produtores, não se faz distinção entre clarete e rosado, já que esses qualificativos são usados como sinônimos, nesses lugares. Bem, dizer que um clarete é um rosado, só porque tem a mesma cor, é o mesmo que dizer de um queijo provolone que poderia ser considerado um peixe só porque pode ser tão defumado quanto um arenque (ressalvo meu exagero, mas creio que vale alguma analogia semelhante).
O rosado é um branco escuro, enquanto o clarete é um tinto claro. Explicando de forma um pouco mais específica: o rosado é feito de uvas brancas e tintas, ou só de uvas tintas, mas vinificado como branco (ou seja, macerado sem fermentação); já o clarete é feito de uvas tintas e vinificado como tinto (ou seja, macerado com fermentação, ainda que esta seja parcial).
O clarete é um vinho para qualquer ocasião. Qualquer, mesmo! Substitui qualquer vinho no acompanhamento de qualquer prato. Mas nenhum vinho o substitui. É o clássico vinho de “chateo”(*) na Espanha: vinho ao pé do balcão.
(*) “chateo”: “Chatear” é fazer vida ao pé do balcão de bar, jogar conversa fora com um “chato” de vinho na mão – daí o nome. “Chato” é o clássico copo para vinho das tascas madrilenhas e seu nome vem do fato desse copo ser chato, achatado, baixo, mais largo que alto, sem haste e de paredes paralelas. No idioma espanhol, atualmente vê-se generalizado o verbo “chatear”, que significa conversar, que é derivado do “chat”, da internet, dos bate-papos virtuais.

 

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