Encorpado

Muito difundido e largamente utilizado, esse adjetivo quase já faz parte do imaginário da enofilia popular. Não há uma ocasião com vinho por perto sem que alguém, após um circunspecto e pausado gole, pronuncie um solene e sonoro: “Encorpado!”
Todos suspeitam do que esse sugestivo nome signifique, mas ninguém tem muita certeza. A imprecisão desse adjetivo acomete também os profissionais. Muitos, quando dizem “encorpado”, referem-se à concentração de extrato seco; outros, ao teor alcoólico; outros, à textura (o que facilmente pode ser confundido com o tanino); outros, à proporção de glicerol; algum se refere ao açúcar residual, e já bem poucos, à acidez. Também há quem tente descrever o termo “encorpado” com termos ainda mais fugidios: peso, volume, densidade, espessura…
Ninguém está totalmente errado e, por contraposição, estão todos certos. Vou até mais longe: encorpado é mesmo a soma de tudo isso.
Eu evito esse termo, por impreciso que ele possa vir a ser. Também é verdade que, justamente por impreciso, às vezes convém. Pecados menores!

 

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