“Reserva” e “gran reserva”

Intuímos que, quando num rótulo se encontra a expressão “reserva”, é porque aquele vinho tem algo mais, é melhor. A mesma intuição leva-nos a crer que um “gran reserva” é um grande reserva, portanto um vinho ainda melhor que o anterior. Intuímos bem, pois assim é. Mas o que, exatamente, está por trás dessas expressões? Quais são os critérios utilizados para classificar um vinho como “reserva” ou “gran reserva”?
A Espanha é o único país com uma lei em que se encontram descritos, de forma clara e objetiva, os critérios de utilização das expressões “reserva” e “gran reserva”.

Reserva: São vinhos tintos de qualidade, produzidos em uma região determinada, com um período mínimo de envelhecimento de 36 meses, dos quais, pelo menos 12, armazenados em barris de madeira de carvalho com capacidade máxima de 330 litros, e, em garrafa, o resto do citado período. Vinhos brancos e rosados com um período mínimo de envelhecimento de 24 meses, dos quais, pelo menos seis, em barris de madeira de carvalho de mesma capacidade máxima, e, em garrafa, o resto do período.

Gran reserva: O mesmo, para tintos com envelhecimento total de 60 meses, dos quais, pelo menos 18, em barris, e, em garrafa, o resto do período. E brancos e rosados com um período mínimo de envelhecimento de 48 meses, dos quais, pelo menos seis, em barris, e, em garrafa, o resto do período.

Nos demais países, a utilização desses termos é regida pelos usos e costumes, tradição e bom critério do produtor.
Na Itália, entende-se que “riserva” é nome dado a vinhos mais envelhecidos que o habitual e que, para produzi-los, utilizam-se os melhores vinhos da casa. Entende-se ainda que esse “mais envelhecido” varia de vinho para vinho, sendo que um riserva chianti teria três anos de envelhecimento; um barbaresco, quatro; e um barolo ou brunello, cinco.
Na Argentina, o INV, organismo oficial, declarou a categoria “reserva” como inexistente desde 1996.
No Chile, a lei somente menciona o nome como classificação possível para vinhos com Denominação de Origem, tal como em Portugal, onde o termo só pode ser utilizado em VQPRD – vinho de qualidade produzido em região determinada –, mas não detalha critérios para seu uso.
Nos Estados Unidos, o termo “reserve” também é utilizado, mas não tem base legal nem é garantia de qualidade. De toda forma, novamente entende-se que é usado nos melhores vinhos das casas produtoras.
No Brasil, as expressões “reserva” e “gran reserva” não aparecem nenhuma vez na Lei do Vinho.
Concluindo, é isso mesmo: não temos muito mais que nossa intuição para interpretar os termos reserva e gran reserva.

 

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