Vinho doce

Os vinhos doces são um mundo à parte, tradicionais na Europa e menos comuns por aqui. Ao contrário dos vinhos secos, os doces são imunes a modas, novas formas, inventos ou evoluções. São quase essencialmente tradicionais e locais, e mantêm suas fórmulas inalteradas ao correr de séculos. Ainda que eu os considere as pérolas da vinicultura, ou – para dizer de outro modo – a cereja em cima do bolo, são pouco consumidos e pouco conhecidos no Brasil. Prova disso é que raramente se encontram nas cartas dos restaurantes, por melhor que sejam essas cartas. E, quando se encontram, a casa insiste em querer comercializá-los por garrafa e não por taça. É como se os restaurantes se recusassem a servir um gim-tônica, porque somente vendem a garrafa de gim inteira.
Também acontece de os vinhos doces serem considerados vinhos exclusivamente de sobremesa, mas essa consideração não é bem correta. Um vinho doce pode ser um excelente aperitivo, acompanha muito bem elementos de difícil harmonização, como picante, compotas em vinagre, queijos azuis, foie gras, e são insubstituíveis com charutos, cachimbos e outras fumaças nobres.
Os vinhos doces são doces porque contêm mais açúcar, claro, mas como se faz para que contenham mais açúcar?
Bem, são basicamente de três famílias os vinhos doces: aqueles cujas uvas se colheram mais tarde, permitindo que a uva desenvolvesse mais açúcares – os “colheitas tardias”; aqueles cujas uvas se desidrataram de modo a fazer com que haja mais açúcar por volume – os “passados”; e aqueles cuja fermentação foi interrompida com adição de álcool, de forma que boa parte de seus açúcares originais não se transformaram em álcool – os “fortificados”.
Os vinhos doces são um assunto inesgotável, e iremos abordá-los na medida em que apareçam por aqui, em nossas seleções especiais.

 

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