Taça sem haste

Estamos tão acostumados ao copo de vinho com haste que é visualmente agressivo tomar vinho em um copo sem ela. Mas não há pecado nisso, ao contrário. No consumo diário não há como e nem por que ser muito estrito com temperaturas (a haste serviria para isolar o vinho do calor dos dedos) e é aí onde um copo sem haste se mostra prático, pois cai menos, facilita a movimentação na mesa e quebra menos na lavagem!

 

Leia também a Revista Sociedade da Mesa!

O vinho faz bem para os ratos

Dias atrás, li um artigo numa revista que dizia que estudos realizados na Universidade de tal e qual (nos Estados Unidos, claro!) demonstraram que um ratinho que tomava vinho era mais saudável que um ratinho que não tomava.
Ora, o homem mandou uma sonda a Marte, a nanotecnologia já tem dezenas de usos práticos, mapeamos o genoma humano, e ainda tenho de aguentar uma dessas! Claro, já sabíamos que o vinho faz muito bem. Não precisava dos testes com ratinhos, salvo para confirmar que os ratinhos já podem também tomar seu vinho tranquilamente.
São muitos os estudos e estatísticas que confirmam os benefícios do vinho. Não vou entrar nesse mérito já batido e reconfirmado. Vou a outra questão, que reforça a anterior: Quem bebe vinho está predisposto a ser feliz e, portanto, mais saudável. O sorvete é muito gostoso e traz prazer e felicidade, mas as pessoas que estão pela rua com um sorvete na mão estão felizes, não porque o sorvete as deixou assim; compraram sorvete porque estavam felizes. Ninguém de mau humor dispõe-se a comprar um sorvete.
Uma pessoa que bebe vinho é uma pessoa que se gosta, que está disposta a dedicar um momento de cada dia a fazer-se uma homenagem, acredita que seu prazer é importante e encontra tempo para isso. Encontra tempo para si mesma e é capaz de, do nada, reproduzir um momento de paz e autossuficiência. E por isso é saudável.
Até os ratinhos sabem disso!

 

Quer conhecer a Sociedade da Mesa, clube de vinhos? Acesse nosso site e aproveite a oferta especial para leitores do blog!

Vinho doce

Os vinhos doces são um mundo à parte, tradicionais na Europa e menos comuns por aqui. Ao contrário dos vinhos secos, os doces são imunes a modas, novas formas, inventos ou evoluções. São quase essencialmente tradicionais e locais, e mantêm suas fórmulas inalteradas ao correr de séculos. Ainda que eu os considere as pérolas da vinicultura, ou – para dizer de outro modo – a cereja em cima do bolo, são pouco consumidos e pouco conhecidos no Brasil. Prova disso é que raramente se encontram nas cartas dos restaurantes, por melhor que sejam essas cartas. E, quando se encontram, a casa insiste em querer comercializá-los por garrafa e não por taça. É como se os restaurantes se recusassem a servir um gim-tônica, porque somente vendem a garrafa de gim inteira.
Também acontece de os vinhos doces serem considerados vinhos exclusivamente de sobremesa, mas essa consideração não é bem correta. Um vinho doce pode ser um excelente aperitivo, acompanha muito bem elementos de difícil harmonização, como picante, compotas em vinagre, queijos azuis, foie gras, e são insubstituíveis com charutos, cachimbos e outras fumaças nobres.
Os vinhos doces são doces porque contêm mais açúcar, claro, mas como se faz para que contenham mais açúcar?
Bem, são basicamente de três famílias os vinhos doces: aqueles cujas uvas se colheram mais tarde, permitindo que a uva desenvolvesse mais açúcares – os “colheitas tardias”; aqueles cujas uvas se desidrataram de modo a fazer com que haja mais açúcar por volume – os “passados”; e aqueles cuja fermentação foi interrompida com adição de álcool, de forma que boa parte de seus açúcares originais não se transformaram em álcool – os “fortificados”.
Os vinhos doces são um assunto inesgotável, e iremos abordá-los na medida em que apareçam por aqui, em nossas seleções especiais.

 

Quer conhecer a Sociedade da Mesa, clube de vinhos? Acesse nosso site e aproveite a oferta especial para leitores do blog!

Vinagre = Vinho Acre

“Vinho acre”: talvez seu primeiro emprego tenha sido a conservação de comida. Daí para perceber que colaborava com o sabor foi um pulo.

Ainda que o clássico seja o vinagre de vinho, o vinagre pode ser feito de vários outros fermentados, tão variados como os de frutas, grãos e até gramíneas. O vinagre é a transformação do álcool etílico em ácido acético por meio da ação das bactérias Mycoderma Aceti.

Curiosamente e ainda que feito de vinho, a tal ponto de alguém já ter dito que o vinho é apenas uma fase entre o mosto e o vinagre, os dois combinam muito mal. O vinagre é um dos clássicos elementos que se não impossível, de muito difícil harmonização com vinho. Talvez os xerezes amontillados se salvem e consigam, não sem dificuldade, harmonizar-se com pratos condimentados ou à base de vinagre, como escabeches, marinados, conservas e saladas.

O interesse por vinagres de qualidade é um fenômeno recente no Brasil. Até bem pouco tempo, somente se encontravam vinagres mais próprios para limpeza do que para gastronomia. Chegaram então os famosos balsâmicos italianos, que são vinagres poderosos, concentrados, densos, cujo nome “balsâmico” vem como sinônimo de medicinal, pois o vinagre, além de produto de limpeza, foi e é um medicamento, um bálsamo, com múltiplas utilidades, que combate desde dores de cabeça, infecções, manchas senis, até soluço, queimaduras, caspa e impotência!

O vocábulo “bálsamo” é sinônimo de medicamento, mas isto se dá por extensão, já que bálsamo é um nome genérico para substâncias produzidas por plantas muito utilizadas pela farmácia e outros alquímicos, que definitivamente não se encontram no vinagre desse nome.

 

Leia também a Revista Sociedade da Mesa!